Voltar

Dia 299 de 365 · Canónica · NVI

Marcos 14-16; Lucas 1

Marcos 14

Jesus é ungido em Betânia
(Mt 26.6‑13; Jo 12.1‑8)
1Faltavam apenas dois dias para a Páscoa e para a Festa dos Pães sem Fermento. Os chefes dos sacerdotes e os mestres da lei procuravam um meio de prender Jesus de maneira fraudulenta e matá‑lo. 2Contudo, diziam:
― Não durante a festa, para que não haja tumulto no meio do povo.
3Quando Jesus estava em Betânia, reclinado à mesa na casa de Simão, o leproso, aproximou‑se dele uma mulher com um frasco de alabastro que continha um perfume muito caro, feito de nardo puro. Ela quebrou o frasco e derramou o perfume sobre a cabeça de Jesus.
4Alguns dos presentes, indignados, começaram a dizer uns aos outros:
― Por que este desperdício de perfume? 5Este poderia ser vendido por mais de trezentos denários, e o dinheiro ser dado aos pobres.
E eles a repreendiam severamente.
6― Deixem‑na em paz — disse Jesus. — Por que vocês a estão perturbando? Ela praticou uma boa ação para comigo. 7Pois os pobres vocês sempre terão com vocês e poderão ajudá‑los sempre que o desejarem, mas a mim nem sempre terão. 8Ela fez o que pôde. Derramou o perfume no meu corpo antecipadamente, preparando‑o para o sepultamento. 9Em verdade lhes digo que, onde quer que o evangelho for anunciado em todo o mundo, também o que ela fez será contado em sua memória.
10Então, Judas Iscariotes, um dos Doze, dirigiu‑se aos chefes dos sacerdotes para lhes entregar Jesus. 11A proposta muito os alegrou, e lhe prometeram dinheiro. Assim, ele procurava uma oportunidade para entregá‑lo.
A ceia do Senhor
(Mt 26.17‑30; Lc 22.7‑23; Jo 13.18‑30)
12No primeiro dia da Festa dos Pães sem Fermento, quando se costumava sacrificar o cordeiro pascal, os discípulos de Jesus lhe perguntaram:
― Aonde queres que vamos e te preparemos a refeição da Páscoa?
13Então, ele enviou dois dos seus discípulos, dizendo‑lhes:
― Entrem na cidade, e um homem com um pote de água virá ao encontro de vocês. Sigam‑no 14e digam ao dono da casa em que ele entrar: “O Mestre pergunta: ‘Onde é o salão de hóspedes no qual comerei a Páscoa com os meus discípulos?’ ”. 15Ele lhes mostrará uma ampla sala no andar superior, mobiliada e pronta. Façam ali os preparativos para nós.
16Os discípulos se retiraram, entraram na cidade, encontraram tudo como Jesus lhes tinha dito e prepararam a Páscoa.
17Ao anoitecer, Jesus chegou com os Doze. 18Enquanto comiam, reclinados à mesa, Jesus disse:
― Em verdade lhes digo que um de vocês, que está comendo comigo, me trairá.
19Eles ficaram tristes e começaram a dizer‑lhe, um após outro:
― Com certeza, não sou eu!
20Jesus afirmou:
― É um dos Doze, alguém que come comigo do mesmo prato. 21O Filho do homem irá, como está escrito a seu respeito, mas ai daquele por quem o Filho do homem é traído! Melhor seria que não houvesse nascido.
22Enquanto comiam, Jesus pegou o pão, deu graças, partiu‑o e o deu aos discípulos, dizendo:
― Peguem; isto é o meu corpo.
23Em seguida, pegou o cálice, deu graças e o ofereceu aos discípulos, e todos beberam dele.
24Então, ele lhes disse:
― Isto é o meu sangue da aliança, que é derramado em favor de muitos. 25Em verdade lhes digo que não beberei outra vez do fruto da videira até aquele dia em que beberei o vinho novo no reino de Deus.
26Depois de terem cantado um hino, saíram para o monte das Oliveiras.
Jesus prediz que Pedro o negará
(Mt 26.31‑35; Lc 22.31‑34; Jo 13.36‑38)
27Jesus lhes disse:
― Todos vocês me abandonarão, pois está escrito:
“Ferirei o pastor,
e as ovelhas serão dispersas”.
28― Mas, depois de ressuscitar, irei adiante de vocês para a Galileia.
29Pedro declarou:
― Ainda que todos te abandonem, eu não te abandonarei!
30Jesus respondeu:
― Em verdade lhe digo que ainda hoje, esta noite, antes que o galo cante duas vezes, três vezes você me negará.
31Pedro, porém, insistia ainda mais:
― Mesmo que seja preciso que eu morra contigo, nunca te negarei.
E todos os outros disseram o mesmo.
Jesus no Getsêmani
(Mt 26.36‑46; Lc 22.39‑46)
32Então, foram para um lugar chamado Getsêmani, e Jesus disse aos seus discípulos:
― Sentem‑se aqui enquanto vou orar.
33Ele levou consigo Pedro, Tiago e João e começou a ficar aflito e angustiado.
34― A minha alma está profundamente triste, em uma tristeza mortal — disse. — Fiquem aqui e vigiem.
35Indo um pouco mais adiante, prostrou‑se no chão e orava para que, se possível, fosse afastada dele aquela hora. 36Ele dizia:
― Aba, Pai, tudo te é possível. Afasta de mim este cálice; contudo, não seja como eu quero, mas como tu queres.
37Depois, voltou aos seus discípulos e os encontrou dormindo.
― Simão — disse a Pedro —, você está dormindo? Não pôde vigiar nem por uma hora? 38Vigiem e orem para que não caiam em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca.
39Mais uma vez, ele se retirou e orou, repetindo as mesmas palavras. 40Quando voltou, de novo os encontrou dormindo, porque os olhos deles estavam pesados. Eles não sabiam o que lhe dizer.
41Voltando pela terceira vez, ele lhes disse:
― Vocês ainda dormem e descansam? Basta! Chegou a hora! O Filho do homem será entregue nas mãos de pecadores. 42Levantem‑se e vamos! Aí vem o meu traidor!
Jesus é preso
(Mt 26.47‑56; Lc 22.47‑53; Jo 18.1‑11)
43Enquanto ele ainda falava, apareceu Judas, um dos Doze. Com ele estava uma multidão armada de espadas e varas, enviada pelos chefes dos sacerdotes, mestres da lei e líderes religiosos.
44O traidor havia combinado um sinal com eles: “Ele é aquele a quem eu saudar com um beijo; prendam‑no e levem‑no em segurança”. 45Dirigindo‑se imediatamente a Jesus, Judas disse:
― Rabi!
E o beijou. 46Então, os homens agarraram Jesus e o prenderam. 47No entanto, um dos que estavam por perto sacou a espada e feriu o servo do sumo sacerdote, decepando‑lhe a orelha.
48Jesus disse a eles:
― Acaso estou chefiando alguma rebelião, para que venham me prender com espadas e varas? 49Todos os dias, estive com vocês, ensinando no templo, e vocês não me prenderam. Mas era preciso que se cumprissem as Escrituras.
50Então, todos o abandonaram e fugiram.
51Um jovem, que se cobria apenas com um lençol de linho, estava seguindo Jesus. Quando tentaram prendê‑lo, 52fugiu nu, deixando o lençol para trás.
Jesus diante do Sinédrio
53Eles levaram Jesus para o sumo sacerdote, e, então, se reuniram todos os chefes dos sacerdotes, os líderes religiosos e os mestres da lei. 54Pedro o seguiu de longe até o pátio do sumo sacerdote. Sentando‑se ali com os guardas, aquentava‑se junto ao fogo.
55Os chefes dos sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam um depoimento contra Jesus, para que pudessem condená‑lo à morte. No entanto, não encontraram nenhum. 56Muitos testemunharam falsamente contra ele, mas as declarações deles não eram coerentes.
57Então, levantaram‑se alguns e declararam falsamente contra ele:
58― Nós o ouvimos dizer: “Destruirei este templo feito por mãos humanas e, em três dias, construirei outro, não feito por mãos de homens”.
59Contudo, nem mesmo assim o depoimento deles era coerente.
60Então, o sumo sacerdote levantou‑se diante deles e perguntou a Jesus:
― Você não vai responder à acusação que estes fazem contra você?
61Jesus, porém, permaneceu em silêncio e nada respondeu.
Outra vez, o sumo sacerdote lhe perguntou:
― Você é o Cristo, o Filho do Deus Bendito?
62― Sou — disse Jesus. — E verão o Filho do homem assentado à direita do Poderoso e vindo com as nuvens do céu.
63O sumo sacerdote rasgou as próprias vestes e perguntou:
― Por que precisamos de mais testemunhas? 64Vocês ouviram a blasfêmia. O que acham?
Todos o condenaram como digno de morte. 65Então, alguns começaram a cuspir nele; vendaram‑lhe os olhos e, dando‑lhe murros, diziam:
― Profetize!
Os guardas o levaram, dando‑lhe tapas.
Pedro nega Jesus
(Mt 26.69‑75; Lc 22.54‑62; Jo 18.15‑18,25‑27)
66Estando Pedro embaixo, no pátio, uma das criadas do sumo sacerdote passou por ali. 67Quando ela viu Pedro se aquecendo, olhou bem para ele e disse:
― Você também estava com Jesus, o Nazareno.
68Contudo, ele negou, dizendo:
― Não o conheço nem sei do que você está falando.
E saiu para o alpendre; nesse momento, o galo cantou.
69Quando a criada o viu lá, disse novamente aos que estavam por perto:
― Esse aí é um deles.
70Ele, porém, negou outra vez.
Pouco tempo depois, os que estavam sentados ali perto disseram a Pedro:
― Certamente você é um deles. Você é galileu!
71Ele, porém, começou a amaldiçoar e a jurar:
― Não conheço esse homem de quem vocês estão falando!
72Logo o galo cantou pela segunda vez. Então, Pedro lembrou‑se da palavra que Jesus lhe havia dito: “Antes que o galo cante duas vezes,você me negará três vezes”. E se pôs a chorar.

Marcos 15

Jesus diante de Pilatos
1De manhã bem cedo, os chefes dos sacerdotes com os líderes religiosos, os mestres da lei e todo o Sinédrio chegaram a uma decisão. Amarrando Jesus, levaram‑no e o entregaram a Pilatos.
2― Você é o rei dos judeus? — perguntou‑lhe Pilatos.
― Tu o dizes — respondeu Jesus.
3Os chefes dos sacerdotes o acusavam de muitas coisas. 4Então, Pilatos lhe perguntou novamente:
― Você não vai responder? Veja de quantas coisas acusam você.
5Jesus, porém, nada respondeu, de modo que Pilatos ficou impressionado.
6Por ocasião da festa, era costume soltar um prisioneiro que o povo pedisse. 7Um homem chamado Barrabás estava na prisão com os rebeldes que haviam cometido assassinato durante uma rebelião. 8A multidão chegou e pediu a Pilatos que lhes fizesse o que costumava fazer.
9― Vocês querem que eu solte o rei dos judeus? — perguntou Pilatos.
10Porque ele sabia que fora por inveja que os chefes dos sacerdotes lhe haviam entregado Jesus. 11No entanto, os chefes dos sacerdotes incitaram a multidão a pedir que Pilatos, ao contrário, soltasse Barrabás.
12― Então, que farei com aquele a quem vocês chamam rei dos judeus? — perguntou Pilatos.
13― Crucifica‑o! — gritaram eles.
14― Por quê? Que crime ele cometeu? — perguntou Pilatos.
Eles, porém, gritavam ainda mais:
― Crucifica‑o!
15Desejando agradar à multidão, Pilatos soltou‑lhes Barrabás, mandou açoitar Jesus e o entregou para ser crucificado.
Os soldados zombam de Jesus
(Mt 27.27‑31)
16Os soldados levaram Jesus para dentro do palácio, isto é, ao Pretório, e reuniram toda a tropa. 17Vestiram‑no com um manto púrpura e, depois, teceram uma coroa de espinhos e a colocaram nele. 18Começaram a saudá‑lo:
― Saudações, rei dos judeus!
19Batiam‑lhe com uma vara na cabeça e cuspiam nele. Ajoelhavam‑se e prestavam‑lhe adoração. 20Depois de terem zombado dele, tiraram‑lhe o manto púrpura e o vestiram com as suas próprias roupas. Em seguida, levaram‑no para fora, a fim de crucificá‑lo.
A crucificação
(Mt 27.32‑44; Lc 23.26‑43; Jo 19.16‑27)
21Certo homem de Cirene, chamado Simão, pai de Alexandre e de Rufo, que passava por ali chegando do campo, foi forçado a carregar a cruz. 22Levaram Jesus ao lugar chamado Gólgota, que quer dizer “Lugar da Caveira”. 23Deram‑lhe vinho misturado com mirra, mas ele não o bebeu. 24Então o crucificaram e dividiram as roupas dele, lançando sortes para saber com o que cada um ficaria.
25Eram nove horas da manhã quando o crucificaram. 26Assim constava a inscrição de acusação contra ele:
O Rei dos Judeus.
27Com ele crucificaram dois ladrões, um à sua direita e outro à sua esquerda. 28 29Os que passavam lançavam‑lhe insultos, balançando a cabeça e dizendo:
― Ora, você que destrói o templo e o reedifica em três dias, 30salve a você mesmo! Desça da cruz!
31Da mesma forma, os chefes dos sacerdotes e os mestres da lei zombavam dele entre si.
― Salvou os outros — diziam —, mas não é capaz de salvar a si mesmo! 32Que o Cristo, o rei de Israel, desça agora da cruz, para que o vejamos e creiamos!
Os que foram crucificados com ele também o insultavam.
A morte de Jesus
(Mt 27.45‑56; Lc 23.44‑49; Jo 19.28‑30)
33Do meio-dia até as três horas da tarde, houve trevas sobre toda a terra. 34Por volta das três horas da tarde, Jesus bradou em alta voz:
― Eloí, Eloí, lemá sabactâni? — que significa: “Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste?”.
35Quando alguns dos que estavam por perto ouviram isso, disseram:
― Ouçam! Ele está chamando por Elias.
36Um deles correu, embebeu uma esponja em vinagre, colocou‑a na ponta de uma vara e a deu a Jesus para que bebesse, dizendo:
― Deixem‑no. Vejamos se Elias vem tirá‑lo daí.
37Jesus, porém, com um alto brado, expirou.
38Então, o véu do templo rasgou‑se em duas partes, de alto a baixo. 39Quando o centurião que estava em frente de Jesus ouviu o seu brado e viu como ele morreu, disse:
― Verdadeiramente, este homem era o Filho de Deus!
40Algumas mulheres estavam observando de longe. Entre elas estavam Maria Madalena, Salomé e Maria, mãe de Tiago, o mais jovem, e de José. 41Na Galileia, elas tinham seguido e servido a Jesus. Muitas outras mulheres que tinham subido com ele a Jerusalém também estavam ali.
O sepultamento de Jesus
(Mt 27.57‑61; Lc 23.50‑56; Jo 19.38‑42)
42Era o Dia da Preparação, isto é, a véspera do sábado. 43José de Arimateia, membro de destaque do Sinédrio, que também esperava o reino de Deus, dirigiu‑se corajosamente a Pilatos e pediu o corpo de Jesus. 44Pilatos ficou surpreso ao ouvir que ele já tinha morrido. Chamando o centurião, perguntou‑lhe se Jesus já tinha morrido. 45Sendo informado pelo centurião que assim havia sucedido, entregou o corpo a José. 46Então, José baixou o corpo da cruz, envolveu‑o em um lençol de linho que havia comprado e o colocou em um sepulcro cavado na rocha. Depois, fez rolar uma pedra sobre a entrada do sepulcro. 47Maria Madalena e Maria, mãe de José, viram onde ele fora colocado.

Marcos 16

A ressurreição
(Mt 28.1‑10; Lc 24.1‑12; Jo 20.1‑9)
1Quando terminou o sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram especiarias aromáticas para ungir o corpo de Jesus. 2No primeiro dia da semana, bem cedo, ao nascer do sol, elas se dirigiram ao sepulcro, 3perguntando umas às outras:
― Quem removerá para nós a pedra da entrada do sepulcro?
4Quando, porém, foram verificar, viram que a pedra, que era muito grande, havia sido removida. 5Entrando no sepulcro, viram um jovem vestido de roupas brancas sentado à direita e ficaram amedrontadas.
6― Não tenham medo — ele disse. — Vocês estão procurando Jesus, o Nazareno, que foi crucificado. Ele ressuscitou! Não está aqui. Vejam o lugar onde o haviam colocado. 7Vão e digam aos discípulos dele e a Pedro: “Ele está indo adiante de vocês para a Galileia. Lá vocês o verão, como ele disse a vocês”.
8Tremendo e assustadas, as mulheres saíram e fugiram do sepulcro. Não disseram nada a ninguém porque estavam amedrontadas.
Jesus aparece aos discípulos e é elevado ao céu
9 Quando Jesus ressuscitou, na madrugada do primeiro dia da semana, ele apareceu primeiramente a Maria Madalena, de quem havia expulsado sete demônios. 10Ela foi e contou aos que haviam estado com ele, os quais estavam lamentando e chorando. 11Quando ouviram que Jesus estava vivo e fora visto por ela, não creram.
12 Depois, Jesus apareceu em outra forma a dois deles, estando eles a caminho do campo. 13Eles voltaram e relataram isso aos outros, mas não creram nos dois.
14 Mais tarde, Jesus apareceu aos Onze, enquanto eles comiam, e censurou‑lhes a incredulidade e a dureza de coração, porque não acreditaram nos que o tinham visto depois de ressurreto.
15 Ele lhes disse:
— Vão pelo mundo todo e preguem o evangelho a todas as pessoas. 16Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado. 17Estes sinais acompanharão os que crerem: em meu nome expulsarão demônios; falarão novas línguas; 18pegarão em serpentes; se beberem algum veneno mortal, não lhes fará mal nenhum; imporão as mãos nos doentes, e estes ficarão curados.
19 Depois de lhes ter falado, o Senhor Jesus foi elevado ao céu e assentou‑se à direita de Deus. 20Então, os discípulos saíram e pregaram por toda parte; e o Senhor cooperava com eles, confirmando‑lhes a palavra com os sinais que a acompanhavam.

Lucas 1

Introdução
1Muitos já se dedicaram a elaborar um relato dos fatos que aconteceram entre nós, 2conforme nos foram transmitidos por aqueles que, desde o início, foram testemunhas oculares e servos da palavra. 3Eu mesmo investiguei tudo cuidadosamente desde o começo e decidi escrever‑te um relato ordenado, ó excelentíssimo Teófilo, 4para que tenhas a certeza das coisas que te foram ensinadas.
Anúncio do nascimento de João Batista
5No tempo de Herodes, rei da Judeia, havia um sacerdote chamado Zacarias, que pertencia ao grupo sacerdotal de Abias; Isabel, a mulher dele, também era descendente de Arão. 6Ambos eram justos aos olhos de Deus, porque obedeciam de modo irrepreensível a todos os mandamentos e preceitos do Senhor. 7Eles, porém, não tinham filhos, porque Isabel era estéril, e ambos eram de idade avançada.
8Certa vez, estando de serviço o seu grupo, Zacarias servia como sacerdote diante de Deus. 9Ele foi escolhido por sorteio, de acordo com o costume do sacerdócio, para entrar no templo do Senhor e oferecer incenso. 10Quando chegou a hora de oferecer incenso, o povo todo estava orando do lado de fora.
11Então, um anjo do Senhor apareceu a Zacarias, à direita do altar do incenso. 12Quando Zacarias viu o anjo, ficou assustado e dominado pelo medo. 13O anjo, porém, lhe disse:
― Não tenha medo, Zacarias, pois a sua oração foi ouvida. Isabel, a sua mulher, dará a você um filho, e você lhe dará o nome de João. 14Ele será motivo de prazer e alegria para você, e muitos se alegrarão por causa do nascimento dele, 15pois será grande aos olhos do Senhor. Ele nunca tomará vinho nem bebida fermentada e será cheio do Espírito Santo desde antes do seu nascimento. 16Fará retornar muitos do povo de Israel ao Senhor, o Deus deles. 17Ele irá adiante do Senhor, no espírito e no poder de Elias, para fazer voltar o coração dos pais aos filhos e os desobedientes à sabedoria dos justos e, assim, deixar um povo preparado para o Senhor.
18Zacarias perguntou ao anjo:
― Como posso ter certeza disso? Pois sou velho, e a minha mulher é de idade avançada.
19O anjo respondeu:
― Sou Gabriel e estou sempre na presença de Deus. Fui enviado para transmitir a você estas boas-novas. 20Agora, você ficará mudo. Não poderá falar até o dia em que isso acontecer, porque não acreditou nas minhas palavras, as quais se cumprirão no devido tempo.
21Enquanto isso, o povo esperava por Zacarias, estranhando a sua demora no templo. 22Quando ele saiu, não conseguia falar nada. Então, o povo percebeu que ele tivera uma visão no templo. Zacarias fazia sinais para eles, mas permanecia mudo.
23Quando terminaram os dias do seu serviço sacerdotal, ele voltou para casa. 24Depois disso, Isabel, a sua mulher, engravidou e, durante cinco meses, não saiu de casa, pensando: 25“Isto é obra do Senhor! Agora ele olhou para mim favoravelmente para desfazer a minha humilhação diante do povo”.
Anúncio do nascimento de Jesus
26No sexto mês, Deus enviou o anjo chamado Gabriel a Nazaré, cidade da Galileia, 27a uma virgem prometida em casamento a certo homem chamado José, descendente de Davi. O nome da virgem era Maria. 28O anjo, aproximando‑se dela, disse:
― Saudações, agraciada! O Senhor está com você!
29Maria ficou assustada com essas palavras, pensando no que poderia significar essa saudação. 30O anjo, porém, lhe disse:
― Não tenha medo, Maria, pois você foi agraciada por Deus! 31Você ficará grávida e dará à luz um filho, e lhe porá o nome de Jesus. 32Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo. O Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, o seu pai, 33e ele reinará para sempre sobre o povo de Jacó; o seu reino jamais terá fim.
34Maria perguntou ao anjo:
― Como acontecerá isso, uma vez que sou virgem?
35O anjo respondeu:
― O Espírito Santo virá sobre você, e o poder do Altíssimo a cobrirá com a sua sombra. Assim, aquele que há de nascer será chamado Santo, Filho de Deus. 36Também Isabel, a sua parenta, terá um filho na velhice; aquela que diziam ser estéril está no sexto mês de gravidez. 37Pois nada é impossível para Deus.
38Maria respondeu:
― Sou serva do Senhor; que aconteça comigo conforme a tua palavra.
Então, o anjo a deixou.
Maria visita Isabel
39Naqueles dias, Maria preparou‑se e foi depressa para uma cidade da região montanhosa da Judeia. 40Ao chegar, entrou na casa de Zacarias e saudou Isabel. 41Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o bebê agitou‑se no seu ventre. Então, Isabel ficou cheia do Espírito Santo 42e exclamou em alta voz:
― Bendita é você entre as mulheres, e bendito é o filho que está no seu ventre! 43Mas por que sou tão agraciada, a ponto de me visitar a mãe do meu Senhor? 44Logo que a sua saudação chegou aos meus ouvidos, o bebê que está no meu ventre se agitou de alegria. 45Bem-aventurada é aquela que creu que se cumprirá aquilo que o Senhor lhe disse!
O cântico de Maria
46Então, Maria disse:
“A minha alma engrandece ao Senhor,
47e o meu espírito se alegra em Deus, o meu Salvador,
48pois atentou
para a humildade da sua serva.
Portanto, de agora em diante,
todas as gerações me chamarão bem-aventurada,
49porque o Poderoso fez grandes coisas em meu favor.
Santo é o seu nome!
50A sua misericórdia estende‑se aos que o temem
de geração a geração.
51Ele realizou feitos poderosos com o seu braço;
dispersou os que são soberbos no íntimo do coração.
52Derrubou governantes dos seus tronos,
mas exaltou os humildes.
53Encheu de coisas boas os famintos,
mas despediu de mãos vazias os ricos.
54Ajudou Israel, o seu servo,
lembrando‑se da sua misericórdia
55para com Abraão e os seus descendentes para sempre,
como dissera aos nossos antepassados”.
56Maria ficou com Isabel cerca de três meses e, depois, voltou para casa.
O nascimento de João Batista
57Ao completar o tempo de Isabel dar à luz, ela teve um filho. 58Os vizinhos e os parentes ouviram falar da grande misericórdia que o Senhor lhe havia demonstrado e se alegraram com ela.
59No oitavo dia, foram circuncidar o menino e queriam dar‑lhe o nome do pai, Zacarias, 60mas a sua mãe tomou a palavra e disse:
― Não! Ele será chamado João.
61Disseram‑lhe:
― Você não tem nenhum parente com esse nome.
62Então, fizeram sinais ao pai do menino para saber como queria que a criança se chamasse. 63Ele pediu uma tabuinha e, para admiração de todos, escreveu: “O nome dele é João”. 64Imediatamente, a sua boca se abriu, a sua língua se soltou, e ele começou a falar, louvando a Deus. 65Todos os vizinhos ficaram cheios de temor, e por toda a região montanhosa da Judeia se falava sobre essas coisas. 66Todos os que ouviam falar disso se perguntavam: “O que será este menino?”. Pois a mão do Senhor estava com ele.
O cântico de Zacarias
67Zacarias, o seu pai, foi cheio do Espírito Santo e profetizou:
68“Louvado seja o Senhor, o Deus de Israel,
porque visitou e redimiu o seu povo.
69Ele levantou um chifre de salvação para nós,
da linhagem de Davi, o seu servo
70— como falara pelos seus santos profetas, na antiguidade —,
71salvando‑nos dos nossos inimigos
e da mão de todos os que nos odeiam,
72para mostrar a sua misericórdia aos nossos antepassados
e lembrar a sua santa aliança,
73o juramento que fez a Abraão, o nosso pai:
74resgatar‑nos da mão dos nossos inimigos
para servirmos a ele sem medo,
75em santidade e justiça, diante dele,
todos os nossos dias.
76“E você, meu filho, será chamado profeta do Altíssimo,
pois irá adiante do Senhor para lhe preparar o caminho,
77para dar ao seu povo o conhecimento da salvação,
mediante o perdão dos seus pecados,
78por causa das ternas misericórdias do nosso Deus,
pelas quais do alto nos visitará o sol nascente,
79para brilhar sobre aqueles
que vivem nas trevas e na sombra da morte
e guiar os nossos pés no caminho da paz”.
80O menino crescia e se fortalecia em espírito; ele viveu no deserto até aparecer publicamente a Israel.

YouVersion · NVI · Bíblia Sagrada, Nova Versão Internacional®, NVI® © 1993, 2000, 2011, 2023 por Biblica, Inc. Usado com permissão. Todos os direitos reservados mundialmente. Bíblia Sagrada, Nova Versão Internacional®, NVI® Copyright © 1993, 2000, 2011, 2023 by Biblica, Inc. Used with permission. All rights reserved worldwide.